
Nos encontramos na igualdade de sermos gente, e nos educamos na potente vastidão das nossas diferenças.
Pamela Oliveira é uma mulher que se permite se emocionar e se afetar pelo entorno. É escritora, educadora feminista, jornalista, comunicadora popular e também socióloga.
Com grande sensibilidade para as violências desde muito pequena, desenvolveu uma trajetória profissional voltada à defesa da equidade de gênero, raça e classe, e aos direitos humanos, desde uma proposta interdisciplinar, afetuosa e holística.
Valoriza o diverso, as trocas e a curiosidade. Gosta de canto, dança, teatro, bordado, poesia, animais e plantas. E entende que o trabalho de cuidado garante o funcionamento do mundo.
Ela se considera uma aprendiz permanente, que tece seu caminho ao caminhar. Não anda só.
Conheça sua trajetória
Paulistana nascida na Zona Leste, hoje reside em Campinas/SP.
Comunicadora com 12 anos de carreira, está cursando sua segunda graduação, agora em Pedagogia, e se especializando em propostas pedagógicas e processos de gestão escolar que valorizem crianças e adolescentes como sujeitos de direito, com vez e voz ativas, e a prática do cuidado como um direito humano.
Sua trajetória em estudos de gênero e raciais remonta 2011, ainda durante a primeira graduação, em Jornalismo, pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Começa a pesquisar gênero e mídia, especificamente a fim de entender quais meios de comunicação e quais mecanismos de discurso corroboram para a circulação de discursos de ódio, discriminatórios e violentos contra as mulheres.
Em seguida, de forma mais propositiva e combativa, atua para divulgação e ampliação das vozes de mulheres silenciadas e excluídas da grande mídia, a partir da criação de produtos de comunicação popular e contra-hegemônicos – com valorização de saberes populares. É então que se debruça sobre a prática de comunicação popular e comunitária, em que se torna especialista também pela UEL (2018).
Durante a especialização, pesquisa o livre brincar e as práticas brincantes infantis entre meninos e meninas em situação de risco. Comprende como a diferenciação a partir do gênero, além de corroborar para a reprodução de estereótipos e hierarquias sociais, contribuem para a limitação de projetos de futuro e para a baixa autoestima em crianças desassistidas.
Investiga também a relação dos territórios e da comunidade na educação social das crianças, para além do espaço escolar.
Pelo viés da comunicação como exercício de liberdade e como prática educativa, mergulha nas propostas filosóficas e educativas de Paulo Freire, ainda em 2017. A partir de Freire, passa a entender o diálogo e outras práticas comunicativas como ação democrática e ferramenta de reflexão e formação, em profunda relação com as práticas pedagógicas e as lutas contra as opressões e a exploração social.
Neste período, funda o Coletivo Juremah com outras colegas comunicadoras, a fim de promover oficinas de feminismo e combate à violência de gênero. Leva essas práticas e reflexões para dentro de escolas públicas, ministrando oficinas de pensamento crítico e sensibilização às violências machistas junto de estudantes de Ensino Médio – em um contexto de alto índice de feminicídios de meninas jovens na cidade de Londrina.
É então que se conecta com a prática de Comunicação Não-Violenta (CNV), participando de cursos formativos nos anos seguintes. Passa a associar a prática dialógica e respeitosa à construção diária de relações mais igualitárias, pacíficas e cuidadosas por meio da comunicação, a fim de prevenir situações de violência e sanar traumas – coletivos e subjetivos – sem cair na responsabilização e revitimização de sobreviventes.
Tema que persiste enquanto praticante, aprendiz e entusiasta, incorporando aos seus saberes as práticas de mediação de conflitos e círculos de paz, e a sociologia das emoções.
Pela Unicamp, torna-se mestra em Sociologia (2024), oportunidade em que se dedica a investigar a fundo o feminismo interseccional e decolonial, o trabalho de cuidados e o fazer feminista. Estuda as lutas relacionadas à reprodução social (garantia de vida) – como a prática educativa, a saúde, a maternidade, alimentação, e outros direitos básicos como moradia, salário mínimo e acesso à saneamento e água potável.
É pelo mestrado também que se aprofunda no estudo da práxis e da transformação das realidades opressivas por meio de escolhas permanentes, corriqueiras e cotidianas, e as perspectivas sobre o bem-viver e os Comuns. Perspectivas que guiam seu entendimento de como as mudanças sociais ocorrem na prática.
Recuperando seus estudos anteriores e experiências variadas com crianças e jovens, identifica uma dificuldade no ambiente escolar: a forma como a desigualdade na divisão social do trabalho de cuidados e sua consequente desvalorização – como para serviços de limpeza, refeição e práticas pedagógicas – refletem negativamente na vida individual das profissionais e o próprio processo educacional, bem como o clima escolar e o exercício da democracia.
Inspirada por perspectivas decoloniais e interseccionais, e em propostas pedagógicas como as de Paulo Freire, Celestin Freinet e bell hooks, assume a defesa de espaços escolares mais democráticos e promotores de autonomia, que protejam e assegurem vidas dignas para crianças, jovens e adultos, afetados neste ambiente educativo.
Integrando seus conhecimentos sociológicos, feministas, comunicacionais, políticos e pedagógicos, funda a Realce: colorindo as escolas em 2025.
Desenvolve a Consultoria em Educação, Direitos Humanos e Diversidade para auxiliar organizações nessa árdua tarefa de transformação social, desde um ponto de vista situado, holístico e territorializado, que valorize as diferenças, reconheça as potencias do humano e combata as desigualdades.
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